AWKWARD

Gosto dessa palavra. Ela é o que significa: estranho, esquisito. A pronúncia (ócuôrd) também é esquisita. Bem o que acontece com a Vovozinha. Explico.

Nas grandes mudanças de nossa vida costumamos tomar decisões. Vou me casar. Acho melhor nos mudarmos daqui. Que tal uma viagem? De hoje em diante vou à academia todos os dias. Não tomo mais refrigerante. Quero ter um filho. Estou com vontade de mudar de profissão. Vou ser vegetariana.

Não tenho a ilusão de que domino meu futuro, de que sou dona de meu destino. O imponderável está sempre presente. De toda forma, eu decido o caminho que pretendo seguir. E, diante do imponderável, escolho minha reação, resolvo como vou adiante no novo cenário.

Foi assim em todas as grandes decisões da minha vida. As duas mais importantes, o casamento e a maternidade, ocorreram com tranquilidade, tudo saiu como era esperado. Na verdade, até melhor do que eu previa.

O inesperado aconteceu de forma exponencial na gravidez das meninas. Tinha decidido ter só o Serginho. Nem ao menos consultei o Sérgio. A depressão pós-parto tinha sido só minha, e resolvi que não ia passar por aquilo de novo. De repente, olha eu grávida! Como falei acima, apesar de não ter controle sobre o fato, tenho controle sobre minha reação. Logo aceitei, apesar do medo de ter depressão de novo, e declarei:

– Tá bom, mas só vou ter dois filhos!

De novo o inesperado: eram duas! Como reagi? Amei a notícia, curti e continuo curtindo a presença de meus três filhos maravilhosos.

E as mudanças de endereço? Nos mudamos várias vezes. Algumas por vontade, outras por necessidade. De casa maior para casa menor e vice-versa. Nas mudanças que foram por nossa vontade, tomamos a decisão e seguimos em frente. Nas outras, aceitamos o aparente retrocesso e fizemos do novo endereço o lugar mais feliz que nos foi possível.

Toda essa reflexão vem a respeito de um aspecto awkward do processo de me tornar avó: não tenho qualquer participação nas decisões. Até posso me tornar mãe-sogra chata e intrometida que fica dando palpite, mas cabe aos pais decidirem o que vão fazer. Inclusive se vão seguir meus “sábios” conselhos, se vão permitir que eu me meta onde não sou chamada.

Para quem não me conhece, esclareço: não é esse meu perfil. Só dou minha opinião quando me perguntam. E isso me deixa perplexa. Como pode, em um momento tão importante para mim, em uma mudança tão vital de status – de mãe para avó – eu não ter qualquer decisão a tomar?

Estava pensando, outro dia, em como isso é o começo de uma fase nova da vida em que, realmente, tomarei cada vez menos decisões. Aqui entre nós, acho isso muito bom. Nunca gostei de ser a chefe de nada, prefiro que outros liderem por mim.

Assim, Vovozinha está aqui, para ajudar no que for possível, mas sempre tendo em mente que o controle não é meu, a responsável não sou eu. É saudável e bom que seja assim.

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